O futuro da fisioterapia no Brasil acaba de ser revelado.
E não é opinião. É dado.
Um estudo oficial do IBRAVS (Instituto Brasileiro de Valor em Saúde), em parceria com a L.E.K. Consulting — uma das maiores consultorias estratégicas do mundo — mostrou que a forma como profissionais de saúde crescem e como serão pagos vai mudar radicalmente até 2030.
Os números confirmam o que sempre disse aos meus alunos: competência técnica sozinha não sustentará crescimento. O diferencial passa a ser prova objetiva do que você entrega.
A pergunta é: você vai estar preparado — ou vai ser deixado para trás?
Neste guia completo, vou destrinchar o estudo, explicar o que cada número significa na prática, mostrar por que a fisioterapia está numa posição privilegiada, e te entregar um protocolo prático para começar a medir resultados nos próximos 14 dias.
Preparado? Vem comigo.
Neste Artigo
- O Que Este Estudo Representa
- Os Dados do Estudo IBRAVS/L.E.K. — Análise Completa
- A Confusão Que Está Custando Caro: Pacote Não É Valor
- O Cenário Atual: Por Que 90% Ainda Trabalham No Modelo Antigo
- Por Que a Fisioterapia Tem o Maior Potencial No VBHC
- Como Isso Impacta o Fisioterapeuta Fora do Hospital
- Os 5 Erros Que Mantêm Seu Trabalho Invisível
- A Diferença Entre Empacotar e Gerar Valor
- A Janela de Oportunidade Até 2030
- Como Se Tornar "Mensurável" em 14 Dias
- O Exemplo Que Ilustra Tudo
- Perguntas Frequentes
- Conclusão: A Nova Era da Fisioterapia

O Que Este Estudo Representa
Antes de mergulhar nos números, preciso contextualizar a importância dessa pesquisa.
O IBRAVS (Instituto Brasileiro de Valor em Saúde) é a principal entidade que estuda e promove o VBHC (Value-Based Health Care) no Brasil. A L.E.K. Consulting é uma das maiores consultorias estratégicas do mundo, com décadas de experiência em saúde e transformação de sistemas.
Juntos, eles conduziram um levantamento com centenas de executivos e hospitais brasileiros. Os resultados foram apresentados no CLAVS'25 (Congresso Latino-Americano de Valor em Saúde), em agosto, no Rio de Janeiro — e publicados em outubro de 2025.
Não é especulação. Não é tendência de mercado. São dados de quem está no centro da transformação do sistema de saúde brasileiro.
E o que eles encontraram?
Um mercado que fala de valor, mas não entrega valor.
Os Dados do Estudo IBRAVS/L.E.K. — Análise Completa
Veja os números principais e o que cada um significa na prática:
| Dado do Estudo | O Que Significa | Implicação Prática |
|---|---|---|
| ~10% dos hospitais têm acordos baseados em valor | VBHC ainda é exceção, não regra | Quem adotar agora se diferencia |
| 75% usam pacotes/preço fixo | Maioria só transferiu risco financeiro | Pacote sem resultado não é valor |
| Apenas 7% aplicam DRG + valor | Único modelo que vincula pagamento a desfecho | Referência a seguir |
| 60% reconhecem relevância do VBHC | Entendem a teoria, não aplicam | Gap entre discurso e prática |
| 67% querem ampliar modelos de performance até 2025 | Tendência de migração acelerada | A pressão já começou |
| 78% projetam crescimento até 2030 | Aceleração confirmada | Janela de 5 anos pra se posicionar |
Faz sentido até aqui?
Vou destrinchar cada um desses números.
O Dado Mais Revelador: Apenas ~10% Baseados em Valor
Apesar de todo o discurso sobre "saúde baseada em valor" que você ouve em congressos, redes sociais e materiais de operadoras, apenas cerca de 10% dos hospitais brasileiros têm acordos efetivamente baseados em resultados.
Os outros 90% ainda operam em modelos que, no fundo, não medem o que realmente importa: se o paciente melhorou.
Os 75% Que Usam Pacotes — O Que Isso Realmente Significa
Aqui está a confusão mais perigosa do mercado.
O estudo identificou que 75% dos hospitais já usam pacotes ou preço fixo. À primeira vista, parece evolução — saímos do fee-for-service puro, certo?
Errado.
O presidente do IBRAVS, César Abicalaffe, foi direto na análise:
"Há uma confusão frequente entre pacote e VBHC. Empacotar não é necessariamente entregar valor; é somente transferir risco do pagador para o prestador."
— César Abicalaffe, Presidente do IBRAVS
Vou explicar melhor isso na próxima seção.
Os 7% Que Realmente Fazem Diferente
Apenas 7% dos hospitais aplicam DRG + valor — o modelo que considera o diagnóstico, a complexidade do caso E os desfechos clínicos.
Esse é o único modelo que realmente pergunta: "O paciente saiu melhor do que entrou?"
Os outros 93%? Estão em algum ponto entre o fee-for-service puro e o pacote sem métricas.
A Projeção: 78% Até 2030
O dado mais importante para você que está lendo isso agora: 78% dos prestadores projetam crescimento de modelos baseados em valor até 2030.
Isso não é especulação. É intenção declarada de quem controla contratos, budgets e estratégias.
A mudança vai acontecer. A pergunta é se você vai liderar ou correr atrás.

A Confusão Que Está Custando Caro: Pacote Não É Valor
Deixa eu ser mais direto, porque essa confusão está custando dinheiro e reputação pra muita gente.
Você vendeu um pacote de 10 sessões. Preço fechado. Sem surpresas.
Parece organizado. Parece moderno. Parece que você saiu do modelo antigo.
Mas deixa eu te fazer uma pergunta: o que acontece se o paciente não melhorar?
Você devolve o dinheiro? Oferece mais sessões? Ou simplesmente... segue pro próximo?
Vejo isso toda semana. Fisioterapeuta que acha que saiu do fee-for-service porque empacotou sessões — mas continua sem medir resultado, sem linha de cuidado, sem nada que prove que o paciente realmente ganhou alguma coisa.
É como trocar a embalagem do produto e achar que mudou o conteúdo. A caixa é nova. O que tem dentro é o mesmo.
O Que o Estudo Revelou Sobre Pacotes
O estudo identificou que 13,2% de todos os gastos assistenciais da saúde suplementar em 2024 já estão em formato de pacote. Isso cresceu muito nos últimos anos. Parece evolução.
Mas veja o detalhe: desses 75% de hospitais que usam pacotes, apenas 7% aplicam DRG + valor — o modelo que realmente considera o diagnóstico, a complexidade do caso e os desfechos clínicos.
Os outros 68%? Estão empacotando o caos.
A Diferença Fundamental
Pensa comigo: se você pega 10 sessões de fisioterapia e coloca num pacote, mas não define:
- Qual é o objetivo clínico?
- Como vamos medir se chegamos lá?
- O que acontece se não chegarmos?
...então você só mudou a forma de cobrar. Não mudou a forma de entregar.
É como se um restaurante vendesse "pacote de almoço" em vez de prato por quilo — mas a comida fosse a mesma, sem nenhum compromisso de qualidade ou satisfação.
O paciente paga. Você atende. E no final, ninguém sabe se valeu a pena.
Esse é o modelo que 90% do mercado ainda pratica. E é exatamente aí que está sua oportunidade.

O Cenário Atual: Por Que 90% Ainda Trabalham No Modelo Antigo
Apesar de ser o modelo mais eficiente do mundo, a Saúde Baseada em Valor ainda é exceção no Brasil.
O número é claro: cerca de 10% dos hospitais têm acordos efetivamente baseados em valor.
Ou seja: 90% ainda trabalham no modelo antigo — volume de atendimentos, não entrega de resultados.
O Que Isso Significa Na Prática
Se você é fisioterapeuta, provavelmente conhece essa realidade:
- Você é pago por sessão, não por resultado
- O paciente não entende o valor do que você entrega
- O mercado não diferencia quem é excelente de quem é mediano
- Seu crescimento depende de atender mais, não de atender melhor
Por Que a Mudança É Lenta
Existem razões estruturais para essa lentidão:
-
Complexidade de implementação: Medir resultados exige sistemas, processos e cultura — não só vontade.
-
Resistência das operadoras: Muitas ainda preferem o modelo previsível de pacotes, mesmo sem garantia de resultado.
-
Falta de padronização: Não existe ainda um consenso nacional sobre quais indicadores usar em cada especialidade.
-
Inércia do mercado: "Sempre foi assim" é um argumento poderoso — até deixar de funcionar.
Mas calma — não estou dizendo que você precisa esperar o sistema mudar pra agir. Pelo contrário.
A mudança sistêmica vai demorar. Sua mudança individual pode acontecer em 14 dias.
Por Que a Fisioterapia Tem o Maior Potencial No VBHC
Aqui está a boa notícia — e ela é muito boa.
A fisioterapia é uma das áreas com maior potencial dentro da Saúde Baseada em Valor.
Por quê? Porque é uma área onde o profissional consegue:
1. Medir Evolução de Forma Objetiva
Amplitude de movimento, força muscular, capacidade funcional, equilíbrio — tudo isso é quantificável. Você não depende só da percepção do paciente. Tem números.
2. Comprovar Impacto Funcional
O paciente voltou a fazer o que não conseguia. Subiu escada. Carregou o filho. Correu 5km. Isso é resultado tangível, não abstrato.
3. Demonstrar Ganho Real de Qualidade de Vida
Com instrumentos como EVA, Oswestry, DASH, KOOS, você consegue documentar a transformação. Antes: 8 de dor. Depois: 2. Isso é prova.
4. Acompanhar o Paciente Ao Longo do Tempo
Diferente de uma consulta médica pontual, você está com o paciente sessão após sessão. Vê a evolução em tempo real. Pode ajustar, documentar, comunicar.
O estudo afirma: profissões que conseguem medir resultados terão crescimento acelerado.
Poucas profissões da saúde têm essa vantagem natural. O médico prescreve, mas nem sempre acompanha o desfecho. O enfermeiro executa, mas nem sempre mede a evolução.
O fisioterapeuta está com o paciente sessão após sessão, acompanhando a transformação em tempo real.
A questão é: você está aproveitando essa vantagem?
Definições Rápidas
VBHC (Value-Based Health Care): Modelo que remunera profissionais e instituições com base nos resultados de saúde entregues ao paciente, não pelo volume de procedimentos realizados.
Fee-for-service: Modelo tradicional onde o pagamento é feito por cada serviço prestado, independentemente do resultado.
PROMs (Patient-Reported Outcome Measures): Indicadores de resultado reportados pelo próprio paciente, medindo funcionalidade, dor, qualidade de vida.
DRG (Diagnosis Related Groups): Sistema de classificação que agrupa pacientes por diagnóstico e complexidade para definir remuneração.
Como Isso Impacta o Fisioterapeuta Fora do Hospital
Você pode estar pensando: "Ok, mas isso é coisa de hospital. Eu sou autônomo, atendo sozinho ou com equipe pequena. O que isso tem a ver comigo?"
Tudo.
A cadeia está conectada — e a água sempre desce.
Como Funciona a Pressão em Cascata
- Operadoras pressionam hospitais por resultados (porque o sinistro está alto)
- Hospitais pressionam clínicas parceiras por métricas (porque precisam mostrar eficiência)
- Clínicas pressionam profissionais por dados (porque quem não entrega, sai)
- Pacientes aprendem a comparar (porque a informação está cada vez mais acessível)
Quando isso chegar na sua porta — e vai chegar — você vai estar em um de dois grupos:
Grupo 1: Quem já mede resultados, tem dados de desfecho, consegue provar o que entrega.
Grupo 2: Quem ainda vende "sessões de fisioterapia" e compete por preço.
O Grupo 1 vai negociar contratos melhores, cobrar mais caro, atrair pacientes qualificados.
O Grupo 2 vai correr atrás, baixar preço, perder margem.
O Que Muda No Seu Consultório/Clínica Nos Próximos 12 Meses
Para o autônomo que atende particular:
- Pacientes vão preferir quem mostra resultados
- Indicações serão baseadas em "ele resolve" (com prova), não só "ele é bom"
- Seu preço deixa de ser comparado com "a sessão do outro" e passa a ser comparado com "o resultado que você entrega"
- Indicações vêm com contexto: "Ela me mostrou que saí de 8 pra 2 em dor"
Para o dono de clínica:
- Operadoras começarão a exigir métricas de desfecho
- Clínicas que medirem resultados terão contratos melhores
- Diferenciação competitiva real (não só marketing)
- Capacidade de justificar reajustes com dados
Para quem atende convênio:
- Pressão por eficiência vai aumentar (menos sessões, mais resultado)
- Quem provar eficiência vai ser mantido na rede
- Quem não provar vai ser substituído
- Dados se tornam argumento de negociação
Como Isso Vira Preço, Proposta e Contrato
Quando você mede e comunica resultados, você consegue:
Justificar preço premium: "Meus pacientes com dor lombar têm redução média de 70% na EVA em 8 sessões."
Criar propostas de valor: "Programa de reabilitação com indicadores de evolução e relatório final."
Negociar contratos com operadoras: "Nossos dados mostram 85% de alta funcional em 6 semanas, com taxa de retorno de apenas 8%."
Percebe a diferença? Você sai do argumento "sou bom, confie em mim" para "aqui estão os números".
Os 5 Erros Que Mantêm Seu Trabalho Invisível
Quando converso com fisioterapeutas no FTR, percebo padrões. A maioria dos profissionais excelentes — clinicamente excelentes — comete pelo menos 3 desses 5 erros:
Erro 1: Não Escolher o Que Medir
"Ah, eu avalio o paciente, faço anamnese, evolução..."
Mas qual indicador você acompanha de forma consistente? Qual número você consegue comparar do dia 1 ao dia 30?
Se a resposta for "depende do caso", você não está medindo. Está improvisando.
O problema: Sem métrica definida, você não tem baseline. Sem baseline, não tem comparativo. Sem comparativo, não tem prova de resultado.
Erro 2: Medir Às Vezes, Esquecer Outras
Começa empolgado, mede os primeiros pacientes, depois a rotina aperta e... para.
Resultado: dados incompletos, comparativos impossíveis, nenhuma prova de consistência.
O problema: Dados esporádicos não constroem padrão. E sem padrão, você não consegue comunicar resultado médio, taxa de sucesso, tempo de recuperação.
Erro 3: Não Documentar a Evolução
O paciente melhorou. Você sabe disso. Ele sabe disso.
Mas quando ele conta pra alguém, o que fala? "Fiz umas sessões de fisioterapia."
Não fala que saiu de 8 pra 2 na escala de dor. Não fala que voltou a correr. Não fala que recuperou amplitude em 4 semanas.
Ele não tem esses dados — porque você nunca mostrou.
O problema: O paciente satisfeito que não sabe explicar o que ganhou é uma indicação fraca. Ele indica, mas não convence.
Erro 4: Não Ter Momentos Fixos de Reavaliação
"Eu reavaliu quando sinto que precisa."
Isso é feeling, não é método.
Reavaliação precisa ter data marcada: D14, D30, alta. Momentos fixos que existem independente de você "sentir" que precisa.
O problema: Sem momentos fixos, você perde a janela de comparação. E sem comparação padronizada, seus dados não servem pra nada além de intuição.
Erro 5: Não Comunicar o Progresso ao Paciente
Esse é o mais comum — e o mais caro.
Você mede (às vezes). Você documenta (no prontuário). Mas você não MOSTRA pro paciente.
E aí ele termina o tratamento sem saber exatamente o que ganhou. Quando alguém pergunta se valeu o preço, ele dá de ombros.
O problema: Valor não comunicado é valor perdido. É como ser o melhor chef da cidade cozinhando num porão sem janela. Ninguém vê. Ninguém sabe. Ninguém paga o que vale.
Os Dois Impactos Imediatos Desses Erros
-
Desvalorização: O paciente não entende o valor do que você entrega. Para ele, "foi só uma sessão". Não tem o que falar quando indicar.
-
Estagnação financeira: O mercado não diferencia quem entrega resultado de quem apenas atende. Você compete por preço, não por valor.
A Diferença Entre Empacotar e Gerar Valor
Deixa eu colocar isso numa tabela, porque a confusão é real e precisa ficar clara:
| Empacotar Sessões | Gerar Valor Real |
|---|---|
| Preço fechado por 10 sessões | Preço fechado por resultado esperado |
| Foco no serviço entregue | Foco no desfecho alcançado |
| Risco transferido pro prestador | Risco compartilhado com base em dados |
| "Fiz minha parte" | "Provei que funcionou" |
| Paciente não sabe o que ganhou | Paciente vê a evolução em números |
| Indicação vaga ("foi bom") | Indicação específica ("saí de 8 pra 2 em dor") |
| Depende de volume pra crescer | Depende de resultado pra crescer |
| Compete por preço | Compete por valor |
A diferença parece sutil. Mas muda tudo.
Quando você empacota sem medir, está dizendo: "Vou fazer 10 sessões e torcer pra dar certo."
Quando você gera valor, está dizendo: "Vou resolver seu problema, e aqui está como vamos medir se estamos no caminho certo."
Qual desses discursos justifica cobrar R$ 300 por sessão?
A Janela de Oportunidade Até 2030
O estudo projeta que 78% dos provedores de saúde vão ampliar modelos baseados em valor até 2030. Isso não é especulação — é pra onde o dinheiro está indo.
Três cenários estão se formando:
Cenário 1: Regulação Acelera
A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) já tem iniciativas como o Projeto Parto Adequado e o OncoRede, que testam modelos de valor em áreas específicas.
Se a regulação apertar — e a pressão por sustentabilidade sugere que vai — quem não mede resultado vai perder contratos.
Cenário 2: Operadoras Pressionam
Operadoras com sinistro alto vão exigir comprovação de resultado. Já está acontecendo em oncologia. Vai chegar em ortopedia, neurologia, pediatria.
Quem não provar eficiência vai receber menos ou sair da rede.
Cenário 3: Paciente Particular Exige
Com acesso a informação, pacientes vão perguntar: "Como você mede se estou melhorando?"
Quem não tiver resposta, perde pra quem tem.
O Que Significa "Adotar Antes da Massa"
Significa que enquanto 90% ainda discutem se vale a pena medir resultados, você já está:
- Coletando dados de desfecho dos seus pacientes
- Comparando sua performance com benchmarks
- Comunicando resultados de forma profissional
- Construindo reputação baseada em evidência
A boa notícia? Você não precisa esperar 2030. Se começar agora, em 6 meses já terá dados suficientes pra se posicionar de forma diferente. Em 12 meses, terá um diferencial real. Em 24 meses, será referência.
Como Se Tornar "Mensurável" em 14 Dias
Agora a parte prática. E aqui eu preciso ser direto: você não precisa de software caro para começar. Não precisa de sistema complexo. Precisa de consistência.
Confie em mim: uma planilha bem feita funciona no início. O importante é começar.
O Kit Inicial de 3 Elementos
Para começar hoje — literalmente hoje — você precisa de apenas 3 elementos:
1. EVA (Escala Visual Analógica)
Dor de 0 a 10. Simples, universal, todo paciente entende.
Como usar: Pergunte no início de cada sessão. Registre. Compare.
2. Uma Pergunta Funcional
"O que você não consegue fazer hoje que gostaria de voltar a fazer?"
Como usar: Registre a resposta literal do paciente. Na reavaliação, pergunte de novo. Compare a resposta.
3. Uma Medida Objetiva
Amplitude de movimento, força muscular, teste funcional — algo que você consiga comparar com número ou foto.
Como usar: Escolha UMA medida por condição. Não precisa medir tudo. Precisa medir algo consistente.
Protocolo Mínimo de Reavaliação
| Momento | O que fazer | Tempo |
|---|---|---|
| D0 (Avaliação inicial) | EVA + pergunta funcional + medida objetiva | 3 min |
| D7 | Revisar evolução internamente | 2 min |
| D14 (Reavaliação 1) | Repetir EVA + pergunta funcional | 2 min |
| D30 (Reavaliação 2) | Repetir tudo + comparar com D0 | 3 min |
| Alta | Comparativo completo D0 vs Alta + mostrar ao paciente | 5 min |
São menos de 15 minutos no total, distribuídos ao longo do tratamento. E o impacto na percepção de valor é enorme.
Checklist dos Primeiros 14 Dias
- Escolhi UMA vertical de cuidado pra começar (ex: dor lombar)
- Defini meus 3 indicadores (EVA + pergunta funcional + medida objetiva)
- Criei modelo de registro (planilha, papel, app — o que for)
- Apliquei a avaliação inicial em 5 pacientes novos
- Fiz primeira reavaliação (D14)
- Comparei os dados e vi o que apareceu
- Mostrei o comparativo pro paciente
- Registrei a reação dele
A mágica está no último item. Quando o paciente VÊ a evolução — em número, em foto, em gráfico — ele entende o valor. E quem entende valor, paga valor. E indica com propriedade.
Passo a Passo Detalhado
Dia 1: Escolha uma vertical de cuidado. Recomendo começar pela mais frequente na sua agenda (ex: dor lombar, ombro, joelho).
Dia 2: Defina seus 3 indicadores e crie o modelo de registro. Pode ser uma planilha simples no Google Sheets.
Dias 3-7: Aplique a avaliação inicial em todos os pacientes novos dessa vertical. Registre tudo.
Dias 8-13: Continue atendendo normalmente, mas mantenha o registro atualizado.
Dia 14: Faça a primeira reavaliação. Compare D0 vs D14. Mostre pro paciente.
Resultado: Você agora tem dados reais. Pode começar a comunicar resultados.
Dica Extra: A Foto Comparativa
Comece a fotografar a amplitude de movimento do paciente no D1 e no D30. Mesmo ângulo, mesma posição, comparativo visual.
Só isso — duas fotos — já te diferencia de 90% dos colegas. E dá pro paciente algo concreto pra mostrar quando alguém perguntar "valeu a pena?".
É simples. É rápido. E funciona.

O Exemplo Que Ilustra Tudo
Deixa eu te dar um exemplo concreto que vejo o tempo todo:
Fisioterapeuta A
- 15 anos de experiência
- 3 pós-graduações
- Atende muito bem, pacientes gostam
- Não mede resultados de forma consistente
- Cobra R$ 150 por sessão
- Luta pra fechar a agenda
- Depende de indicação boca a boca
- Indicações vagas: "Foi bom, gostei"
Fisioterapeuta B
- 5 anos de experiência
- 1 pós-graduação
- Mede resultados em 100% dos casos
- Mostra evolução pro paciente a cada reavaliação
- Comunica valor nas redes com dados reais
- Cobra R$ 350 por sessão
- Tem fila de espera
- Indicações específicas: "Ela me mostrou que saí de 7 pra 1 em dor, tenho os dados"
A diferença não está na competência clínica. O Fisioterapeuta A provavelmente é tecnicamente melhor.
A diferença está na capacidade de tornar o valor visível.
O Fisioterapeuta A entrega valor. Mas não captura. O B entrega E captura.
E aí a pergunta: em qual dos dois você quer se transformar?
Perguntas Frequentes
VBHC (Value-Based Health Care) é um modelo de remuneração onde profissionais e instituições são pagos com base nos resultados de saúde entregues ao paciente, não pelo volume de procedimentos realizados.
Foi proposto por Michael Porter e Elizabeth Teisberg em 2006 e se tornou referência mundial em transformação de sistemas de saúde.
A equação é simples: Valor = Resultados que importam ao paciente ÷ Custos do episódio de cuidado.
Se você não consegue provar seus resultados, sobra só o custo. E aí o paciente compara preço.
O fee-for-service paga por serviço prestado, independente do resultado. Isso cria incentivos distorcidos:
- Quanto mais você atende, mais ganha — mesmo que o paciente não melhore
- Não existe diferenciação entre quem é excelente e quem é mediano
- O sistema premia volume, não qualidade
O resultado? Custos crescentes sem melhoria proporcional nos resultados de saúde. É insustentável — e o mercado sabe disso.
Eu entendo. A rotina é corrida. Mas veja: são 3 minutos na avaliação inicial e 2 minutos nas reavaliações. Menos tempo do que você gasta respondendo WhatsApp entre pacientes.
E o retorno — em retenção, indicação qualificada e justificativa de preço — compensa muito.
O segredo é não tentar medir tudo. Escolha 3 indicadores por condição e seja consistente. Menos é mais.
Pra começar, pode ser simples. EVA (0 a 10) e uma pergunta funcional já funcionam muito bem.
Escalas validadas como DASH, Oswestry, KOOS ou LEFS são melhores quando você quer comparar com literatura científica ou apresentar pra operadoras em negociação de contrato.
Mas não precisa disso pra dar o primeiro passo. Começa com o básico, evolui depois. Perfeito é inimigo do feito.
PROMs (Patient-Reported Outcome Measures) são indicadores de resultado reportados pelo próprio paciente — medindo funcionalidade, dor, qualidade de vida.
Eles importam porque capturam o que realmente interessa: a percepção do paciente sobre sua própria melhora.
Exemplos: Oswestry (coluna), DASH (membro superior), KOOS (joelho), WOMAC (quadril).
Cada vez mais, operadoras e sistemas de saúde vão exigir PROMs como parte da documentação de resultado.
Essa é uma dúvida real — e honesta. Respeito você por perguntar.
Primeiro: provavelmente são melhores do que você imagina. Você só não está vendo porque não está medindo. A maioria dos fisioterapeutas que começa a medir se surpreende positivamente.
Segundo: se não forem bons, você descobriu um problema que pode resolver. Ajusta o protocolo, muda a abordagem, refina o método. Melhor saber e corrigir do que continuar no escuro achando que está tudo bem.
Terceiro: resultados "ruins" em alguns casos são normais. Nem todo paciente responde igual. O que importa é a tendência geral e a honestidade na comunicação.
Medir não é pra inflar ego. É pra melhorar.
Funciona, mas o impacto maior é pra quem quer migrar pro particular ou modelo misto.
Os dados te dão argumento pra justificar preço quando o paciente pergunta "por que você cobra mais?". Eles também ajudam em negociações de contrato com operadoras — quem prova resultado negocia melhor.
Pra convênio puro, onde você não controla preço, ajuda mais na diferenciação e na construção de autoridade pra eventualmente fazer a transição.
De qualquer forma, você sai ganhando. Dados são ativos.
Não. Pra começar, uma planilha bem estruturada resolve. O importante é ter consistência no registro e na reavaliação.
Se você quiser automatizar e ter relatórios prontos, o Usecore foi desenvolvido exatamente pra isso — prontuário inteligente com coleta de indicadores integrada.
Mas não deixe a falta de software te impedir de começar. Papel e caneta funcionam. Planilha funciona. O importante é começar.
Em 14 dias você tem os primeiros dados.
Em 90 dias, material suficiente pra comunicar resultados com confiança — nas redes, no consultório, nas conversas.
Em 6 meses, um posicionamento claro no mercado. Você já não é "mais um fisioterapeuta". É "o fisioterapeuta que prova resultado".
Em 12 meses, autoridade construída. Preço justificado. Agenda cheia de pacientes que entendem o valor.
A consistência é o que faz a diferença. Não adianta medir uma semana e parar. É ritual, não evento.
O estudo é sobre saúde em geral — hospitais, operadoras, prestadores. Mas a conclusão central se aplica diretamente:
"Profissões que conseguem medir resultados terão crescimento acelerado."
A fisioterapia se encaixa perfeitamente nisso. Temos a capacidade natural de medir evolução, comprovar impacto funcional e demonstrar ganho de qualidade de vida.
A pressão que hoje está nos hospitais vai descer pra clínicas e autônomos. Quem se antecipar, lidera.
O estudo está disponível no site do IBRAVS:
Os dados foram apresentados no CLAVS'25 (Congresso Latino-Americano de Valor em Saúde) em agosto de 2025.

Conclusão: A Nova Era da Fisioterapia
A Fisioterapia do futuro será guiada por valor, métricas e evidências.
Os números do estudo IBRAVS/L.E.K. não mentem: 67% dos prestadores querem ampliar modelos de performance até 2025, e 78% projetam crescimento até 2030. A mudança está acontecendo.
Os fisioterapeutas mais bem pagos serão aqueles que aprenderem isso agora — não quando todo mundo já estiver fazendo.
Isso não é ameaça. É oportunidade. Especialmente pra fisioterapia, onde o resultado é mensurável por natureza.
Você já entrega valor. Eu sei disso. Seus pacientes melhoram. Eles saem satisfeitos.
Mas satisfação não paga conta. Prova de resultado paga.
Quando você documenta a evolução, você transforma percepção em fato. Quando mostra pro paciente, ele entende o que ganhou. Quando ele entende, ele paga sem questionar. E indica com propriedade.
É um ciclo virtuoso. E começa com uma decisão simples: medir.
A pergunta não é SE a mudança vai acontecer. A pergunta é: você vai estar entre os 10% que lideram ou entre os 90% que correm atrás?
E aí, por onde você vai começar?
"Valor não se pede. Valor se conquista."
Próximo Passo
Se você quer estruturar isso com método completo e acompanhamento, o FTR (Foco Total em Resultados) foi criado exatamente pra isso. É o programa de aceleração do Movimento Valor em Fisioterapia, onde transformamos serviços de fisioterapia em negócios de alto valor.
Para automatizar a coleta de indicadores e ter relatórios prontos, o Usecore resolve. É o prontuário inteligente que desenvolvemos pra fisioterapeutas que querem medir resultado sem perder tempo.
Fontes e Referências
- IBRAVS/L.E.K. Consulting — Relatório VBHC: Modelos alternativos de pagamento na saúde privada brasileira (2025)
- Relatório completo IBRAVS/L.E.K. (PDF)
- IBRAVS — Instituto Brasileiro de Valor em Saúde
- Porter, M. E., & Teisberg, E. O. (2006). Redefining Health Care: Creating Value-Based Competition on Results. Harvard Business Press.
